domingo, 14 de novembro de 2010

Noite de reviver

Foto: Bernardo Bortolotto
“Tu nasceu no ano errado”, muito já ouvi essa frase. Concordo, também acho que poderia ter nascido nos anos 60 ou 70. Mesmo chegado ao mundo em 87, sou um amante das músicas das décadas anteriores. Gosto do ritmo dos instrumentos, da inteligência das letras e da identificação social.

            Na metade do mês passado, estava comemorando o aniversário de um amigo ao som dos clássicos do rock anos 60, 70 e 80. Outro aspecto tornou o clima ainda mais característico. Ouvíamos as músicas em toca disco. Antes de começar a canção, ouvia-se o estouro da agulha ao tocar o vinil. Todos da mesma faixa etária, nem eram nascidos em 60 e 70, mas lembramos das atitudes das épocas e da sociedade embalada por gêneros musicais.

            Nesses primeiros dez anos do século 21 a música sofreu impacto profundo. A internet ajudou a difundir novas bandas, músicas e tribos. A liberdade de expressão artística aumentou a produção na web. Inclusive, a venda de CD’s caiu no mundo inteiro. Qualquer música está ao alcance de um clique.

            Talvez, seja por isso que não cultuamos mais uma banda como antigamente. Quem sabe, também seja por isso, que as músicas das décadas passadas ainda estejam presentes. Hoje nós temos bons músicos, boas bandas, ótimos trabalhos, mas não fenômenos como Beatles e Cazuza, para citar dois.

            Os embalos dos anos 60, 70 e 80 são muito mais que os sons de baterias, guitarras, contrabaixos e violão. As canções são a superfície de um contexto histórico. A música foi fundamental para conquistar a liberdade de expressão, à luta contra a ditadura. Foi responsável pelas mudanças sociais, pela construção do futuro. É o presente da criação livre, independente e abundante.

            Canções que jamais serão esquecidas. O difícil primeiro beijo, os namorados que prometiam casar e a roda de amigos de todos os dias tem suas trilhas. Recordações que serão revividas e recontadas num “embalo de sábado à noite”, no Clube do Comércio.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O meio amargo da paixão


Um pedaço de chocolate está na boca. Os lábios não mexem. Ele derrete no calor daquele pequeno espaço. Sente-se a composição de açúcar, cacau e leite se espalhar sobre a língua abaixo de um céu salivante. Aos poucos o meio amargo também toca o paladar. Ele escorre pela boca e a saliva escoa pela garganta. Saboreie cada centésimo de milésimo enquanto o chocolate abusa de você. Sinta o prazer com um suspiro prolongado. Lembre-se, daqui um pouco ele será consumido e deixará de existir. Você ficará com o gosto na lembrança, entranhado na língua, mas não poderá senti-lo ou tê-lo novamente.

Desejo. Só mais um pedaço. Pequena parte recheada de provocações. O amargo sutil fica preso à língua e você o sente. Vontade de voltar àqueles instantes de sensações intensas. É impossível provar um tablete, sempre se deseja mais do chocolate meio amargo. A textura vira líquida na boca, é provocante, causa overdose de prazer e parece sob controle.

Fogo. O chocolate é como chamas causadoras de incêndios destruidores que insistem acesas enquanto um batalhão luta contra elas. Arde em pequena escala até que se revolta e põe a língua a salivar. Basta lembrar do último pedaço. Há segundos sua respiração emanava o delicioso aroma ao leite.

Descontrole. Você se dá conta que o controle foi perdido na prova, no primeiro pedaço quando não passava de uma vontade insignificante. Tudo começa aos poucos, com o sabor do novo, diferente. O chocolate acaba. Foi tão rápido. E você quer sentir novamente as sensações que escorriam pela boca, passavam pela respiração. O desejo arde em descontrole. Você procura, revira e não encontra. Nada está ao alcance do meio amargo.

A paixão é um pedaço de chocolate meio amargo. Derrete na boca, escorre pela garganta e deixa o gosto na língua, no suspiro e na memória. É provocante, percorre as vias respiratórias, prova teu sabor como se você estivesse com o controle. São chamas que não se apagam. É a vontade expelida no suor. A paixão, assim como o chocolate, vai embora e deixa o desejo de só mais uma vez em seu lugar.

sábado, 30 de outubro de 2010

Mensagem de Luz


            Sinos dourados brindam a chegada de uma nova estrela ao povoado estelar. O brilho radiante ofusca olhares atentos e curiosos. Os sorrisos de boas vindas aumentam à proporção que a luz do orifício diminui com a silhueta do novo ser aproximando-se. O som das badaladas é mais rápido. Os violinos angelicais embarcam no compasso dos sinos. Harpas e clarinetas juntam-se à melodia.

            Aos poucos o desenho do novo ser vai se formando e já é possível reconhecê-lo. Estranhamente ele olha para os lados, vê um céu de azul intenso e poucas nuvens. Logo ao lado enxerga flores brancas, amarelas e vermelhas se destacarem sobre a imensidão verde de um campo plano com cabanas simples de madeira. As pessoas seguem a sorrir e a aplaudir.

As crianças são as primeiras a lhe saudar com pétalas de flores. Logo, os adultos o abraçam e dão as boas vindas. O ambiente é de paz e calmaria. A luz, agora com pouca intensidade, está em todas as pessoas e a música segue a anunciar sua chegada. Crianças e mais crianças correm em sua volta.

A nova estrela sente seu corpo leve, suas roupas são simples panos brancos pendurados em seus ombros. O volume da canção lírica ficava distante. Ele percebeu um movimento suave passar pelos ares. O que era aquilo, um bebê de asas? Um anjo desceu para perto com um violino. A emoção contagiou sua alma a ponto dos olhos lacrimejarem. Ele sentia alguém lhe falando. O inconsciente entendia as palavras de luz.

Uma estranha energia invadia seu peito. Eram agradecimentos, lembranças de momentos de felicidade, mensagens de carinho. Assim, o ser chegava ao céu. Com o coração sentia seus familiares e amigos orarem em seu nome. Lá de cima, ele emanou fluídos de ternura, gratidão e amor a todos os bons pensamentos presentes na terra. Juntou-se aos demais e passou a sorrir, aplaudir, colher flores, apreciar a melodia dos anjos e a recepcionar as novas estrelas lançadas ao céu.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

A viagem

Por Paulinho Sangoi 
Bem depois de todos terem comentado a viagem, só me resta dizer algumas palavras. Me lembro daquela noite em sala de aula de Projeto Experimental em TV, quando foram decididos os roteiros. O grupo havia optado por viajar para Livramento. Tudo bem, mas depois foi trocado por São Miguel das Missões, acertou com a viagem, hospedagem e tudo mais.

Data programada, tudo certo! Saída sexta feira, às 18 horas, do dia 08 de outubro 2010. Dito e feito! Destino? Quê destino? Éramos os MOCHILA NAS COSTAS rumo à tão esperada Missões. Sim, tínhamos que dormir, mas a eficiência da Thaís nos proporcionou um belo pouso e sem falar da janta.

Horas nem pensar. Já passava da meia noite, veio a reunião para o próximo dia, depois o despertar às 06 horas, café e viagem rumo a Santo Ângelo. UFA! Dia cansativo para todos, pagamos a estrada de novo rumo a São Miguel das Missões, chegando todos com cara de cansados e aquele hotel pedindo um descanso, mas tínhamos traçado um roteiro e deveríamos cumprir.

Matéria no hotel pronta e rumo ao parque onde estão as Ruínas. Nosso tempo era curto. Confesso não tinha estado naquele lugar antes. É lindo. Procurei fazer as imagens melhores possíveis. E ele, o iluminado sol proporcionou cenários inesquecíveis.

Enfim, missão do dia cumprida veio a noite e mais trabalho. Retornamos já era 22h30min. Todo mundo tem o direito de descansar, tomar banho, jantar no hotel com direito a sobremesa... Conversa vai conversa vem e programamos o roteiro do dia seguinte: despertar 6h e tomar cenas do hotel. Claro que café às 7h. O domingo foi legal, concluímos as gravações às 17h. Era hora de voltar.

Que viagem! Das muitas que já realizei através da minha profissão, esta marcou muito! Obrigado a vocês,  BERNARDO , CAROLINE , THAIS , LUIZA , TIANE... VALEUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU

sábado, 23 de outubro de 2010

A honestidade de um palhaço

Tenho visto nas ruas um povo desacreditado, pessoas indignadas com os resultados nas eleições 2010, para citar o caso Tiririca. Vejo eleitores insatisfeitos com os selecionados a disputar o cargo de presidente, governador e deputados. Aliás, a impressão que fica é que nós brasileiros vamos eleger o “menos pior” e não “o melhor” para administrar o Brasil.

Os debates desse segundo turno, pelo menos até agora, não passaram de discussões mesquinhas. Os candidatos entram num círculo de acusações, um chamando o outro de mentiroso. Eles se esquecem dos eleitores. Não saem propostas concretas. O último debate parecia que a disputa era pelo governo de São Paulo.

Alguns chamam estas brigas de democracia. O que tem de útil ficar repetindo na televisão uma agressão a um candidato? Vamos incentivar? Quantos minutos sem propostas construtivas para provar que um é pior e mais mau caráter que o outro? O Brasil transborda corrupção, a mídia escancara roubos, o judiciário está entupido de processos de cassação e muitos outros.

Foi com um “sim nós podemos” que Barack Obama se elegeu o primeiro presidente negro dos Estados Unidos. Foi a promessa de mudança, explícita no discurso, nos gestos, na cor e na campanha feita na internet do republicano. Americanos que não são obrigados a votar superaram as marcas e foram às urnas. Mudança, a palavra de ordem.

No Brasil, passam quatro, oito, 12 anos e os candidatos, discursos, brigas mesquinhas são os mesmos. Há quanto não sentimos o gosto do novo, da mudança? Por que nós eleitores caímos nessa roda da descrença? A única mudança destas eleições foi a vitória legítima do Tiririca. Seria uma indicação de que somos palhaços e um profissional vai nos representar? Ou é um reforço daquela frase ouvida nas desgraças políticas, “vamos rir para não chorar”? De qualquer forma, o Tiririca fez a campanha mais honesta dessas eleições, talvez isso, justifique o mais de um milhão de votos que recebeu.

domingo, 17 de outubro de 2010

O roteiro não é tudo

Por Caroline Cechin
Quatro mentes meio malucas. Muitas ideias e uma forte amizade. As aventuras durante a viagem dispensa apresentações, a Luisa e a Thaís já se encarregaram disso. Tínhamos alguns contatos, muitas ideias, e sempre o atrevimento de viajar sem um roteiro muito certo. Alguns acreditam que isso é loucura, sair de Santa Maria percorrer tantos quilômetros sem ter tudo programado. Mas acredito que essa é nossa característica mais forte, sair para experimentar. Poderíamos nos dar mal, porém, a sorte até agora sempre esteve em nosso lado. Acho que Deus, ou seja lá o que nos acompanha, gosta das nossas aventuras.

O trabalho ocorreu tudo bem. Cansativo é claro, o dia inteiro de gravações, muitas caminhadas. Mas com certeza o aprendizado tanto na nossa área, o jornalismo, quanto no conteúdo histórico que o lugar carrega é muito gratificante. A parceria entre o grupo facilita muito as decisões. Como disse a Thaís em seu depoimento, sempre houveram discussões para o lado bom, ouvindo a opinião de todos e chegando na melhor solução para o momento. Não podemos deixar de agradecer sempre a parceria do Paulinho, nosso câmera, que durante a faculdade se tornou um grande amigo, nosso conselheiro em alguns momentos.

A experiência sempre é válida, dando certo os planos, ou não. Para mim, foi ainda mais marcante, motorista de primeira viagem, nunca tinha dirigido tantos quilômetros. Com certeza nossas histórias durante esse período e durante toda a faculdade ficaram na memória de cada uma que passou pelas nossas vidas. São quatro anos de uma amizade considerada por muitos incomum, tantas mulheres juntas reunidas sem brigar hehehe, e o Bê nosso fiel escudeiro ouvindo as loucuras das “lokas”.

Sobre mais esta aventura, Mochila nas Costas versão TV, ficam as lembranças dos momentos e do empenho de todos para que o programa fique o melhor possível. Agora é aguardar a edição, tarefa que não será nada fácil, pois temos muito material para transformar apenas em 15 minutos. Despeço-me agradecendo meus queridos colegas sempre companheiros de loucuras e dizendo que estamos sempre aí né aceitando novas propostas de aventuras hehehe. E fiquem atentos em breve mais um “Mochila nas Costas” estará no ar.

sábado, 16 de outubro de 2010

Folga temperada

O que fazer quando se está de folga? No meu caso, geralmente, descanso e só. Nada além de um sofá ou uma cama e um controle remoto na mão. Aliás, tem coisa melhor que ficar zapeando na TV? Massagear o cérebro com imagem, luz e blá blá blá? Comunicação com o ‘mundo exterior’ somente pela internet ou celular. Aliás, tenho escutado muito de outras pessoas: “quando consigo parar, estou tão cansado que não faço nada”. Faz sentido. E quando se chega tarde em casa, no final da noite depois de um dia exaustivo, e a geladeira está vazia? Ainda há pique para cozinhar? A solução é lanche.

            A correria é tanta que perdemos alguns prazeres da vida. Às vezes, um passeio em volta da quadra, uma corrida até o trevo, um chimarrão na praça, uma roda de amigos embaixo de uma sombra de árvore. Eu já tinha perdido a noção de quanto é bom cozinhar. Fazer a janta sem pressa, saboreando o fatiar dos temperos e a combinação que podemos fazer com eles.

            Na última segunda-feira, surgiu uma folga à noite e resolvi preparar a janta. Um prato exclusivo para mim. E quais eram os ingredientes em casa? Guisado de carne, massa caseira, ervilha e diversos outros temperos. Macarrão a Bolonhesa (nome bonito) acompanhado de um vinho tinto seco. O sangue italiano favoreceu a escolha da comida. Uma ligação para tirar uma dúvida e confirmar a mistura de água e óleo de soja para ferver a massa. Mãos à obra!


            Com colher de pau e muitos temperos a janta foi ganhando forma. Sem receita ou fórmula exata testei tempero aqui, outro lá. Sente o cheiro desse e daquele para descobrir qual vai ficar melhor. Os dois, por que não? Louro e manjericão na panela. Extrato de tomate com azeitonas e algumas colheres de ervilha.

            O macarrão ficou ótimo. Melhor que o resultado foi construí-lo. A preparação dos alimentos, a estratégia na mistura de temperos, o suspense de “como vai ficar isso?” e, o melhor de tudo, sem o compromisso de errar ou acertar para alguém. Num dia de cansaço cheguei direto para a cozinha, foi bom, foi relaxante e delicioso. Até me esqueci do controle remoto e redescobri um prazer fundamental e simples para a vida e auto-estima. Bom apetite!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

10 pela coragem!!!


Por Luísa Schneiders
Quatro aspirantes a jornalistas. Um câmera experiente. Um projeto experimental para televisão a ser feito. Destino: Rota das Missões. Assim começou a nossa viagem. Pegamos a estrada na sexta-feira à tardinha. Nas mochilas, além do básico (roupas, produtos de higiene pessoal, equipamentos, etc...), também levamos adrenalina, expectativas, muitas ideias, planos e também incertezas.
Depois de cerca de três horas de viagem, chegamos ao nosso primeiro destino: Vitória das Missões. Após fazermos o reconhecimento do local, vencemos o cansaço e encaramos uma reunião de pauta, madrugada adentro. Tudo decidido, era hora de dormir para recarregar as energias.
Após poucas horas de sono, o despertador tocou, dando o sinal que tinha acabado a moleza, e que muito trabalho nos esperava. Carro novamente carregado, era hora de partir para Santo Ângelo, mais precisamente, para a Catedral Angelopolitana. Chegando lá, nos deparamos com a incontestável beleza da Igreja. Sua imponente arquitetura exterior contrastava com os pequenos e lindos detalhes internos, rendendo-nos belíssimas imagens. Foi nesta hora que surgiu o primeiro contratempo. Não tínhamos nenhuma fonte oficial para nos ceder uma entrevista, pois o padre tinha ido viajar, e não conseguimos fazer contato com o Bispo.
Mas, de repente, como que numa prece atendida, surgiu em nosso caminho um casal muito simpático. Vagner, jornalista e escritor e sua amiga. Eles estavam lá, pois participariam da Feira do Livro que estava acontecendo na cidade, e logo que ficaram sabendo do nosso projeto, nos apresentaram ao Secretário de Educação que, imediatamente, colocou-nos em contato com uma fonte que tinha muito a nos contar.
Raquel. Este é o nome da nossa fonte oficial. Uma mulher simples, simpática e muito disposta a nos ajudar. Formada em História, com Pós em Arqueologia, ela participou das escavações da antiga Catedral e em algumas horas em que passou conosco, deu-nos um banho de cultura e informação. Após finalizarmos essa etapa do trabalho, partimos rumo a São Miguel das Missões, deixando para trás, além de toda a beleza da Catedral de Santo Ângelo, pessoas generosas, que nos ajudaram e contribuíram para o nosso programa.


Depois de rodarmos mais uns 80 km, chegamos a São Miguel das Missões. A primeira parada na cidade foi no Wilson Park Hotel, que nos deu apoio logístico sábado e domingo. Lá, fomos recebidos pela Venívian, rapidamente, chamada por nós de “Vê”. Depois de conversarmos com ela, e conhecermos todas as instalações do Hotel, era hora de partir rumo ao Sítio Arqueológico São Miguel Arcanjo, mais conhecido como as Ruínas de São Miguel das Missões.
Chegando lá, restava-nos apenas uma hora para gravar, pois o Parque já iria fechar. Aproveitamos este momento para filmar o pôr do sol entre as Ruínas e tirar muitas, mas muitas fotos. Registros feitos, só restava esperar anoitecer para podermos conferir o Espetáculo Som e Luz, apresentado diariamente no Sítio Arqueológico. Quando a noite chegou, fomos surpreendidos pelo frio. O público chegava para assistir a apresentação carregando cobertores e mantas, e nós, não tivemos outra solução a não ser encarar o vento gelado na raça. Depois de gravarmos uma passagem e entrevistarmos algumas pessoas, voltamos ao hotel para encerrar o segundo dia de gravações. O cansaço já tomava conta, mas ainda tínhamos muito trabalho pela frente.
E como dizem, não há nada como uma noite de sono bem dormida para recarregar as energias. A manhã de domingo nos presenteou com um lindo céu azul. O tempo bom, que nos acompanhou desde sexta-feira, continuava do nosso lado. Depois do café da manhã, era hora de arrumar as malas, carregar o carro e fechar a conta do Hotel, pois era o nosso último dia de gravação e quando tudo estivesse pronto, voltaríamos direto para Santa Maria.
De volta às Ruínas de São Miguel, pegamos no batente, pois o tempo corria e ainda havia muita coisa a ser feita. Depois de gravarmos toda a manhã, demos uma pausa para o almoço. Encontramos um pequeno restaurante e quando entramos no estabelecimento, nos deparamos com o casal simpático que conhecemos em Santo Ângelo, Vagner e sua amiga. Sentamos próximos a eles e começamos a conversar. Vagner, um jornalista com uma bagagem incrível, apimentou nosso almoço com seus “causos”, histórias e opiniões.
Mesmo com a barriga cheia, não podíamos nos dar ao luxo de descansar. Voltamos ao Sítio Arqueológico na parte da tarde para finalizarmos as gravações. À medida que terminávamos de gravar os depoimentos e fazer os últimos takes, o cansaço que tomava conta de nós, foi dando espaço à sensação de dever cumprido, de objetivo alcançado.
O relógio marcava 5 horas da tarde quando encerramos as gravações. Agora era só carregar o carro com as malas e equipamentos para pegarmos a estrada de volta até a nossa cidade. Só que, na prática, não foi tão fácil assim. Onde guardar, em um carro lotado, tanto conhecimento, histórias, pessoas, imagens e a alegria de termos conseguido realizar o nosso projeto?
 Viajamos espremidos, trazendo conosco novas e empolgantes experiências, mas tendo a absoluta certeza de que crescemos como profissionais e, principalmente, como seres humanos. E, ao final dessa viagem, só temos que agradecer pelo desafio, pela oportunidade, pela ajuda, pela boa vontade, pelo profissionalismo e pela amizade, que foram componentes fundamentais para o sucesso da nossa empreitada.



quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Nosso segundo destino


Por Thaís Bueno
Região da Quarta Colônia, essa foi nossa primeira experiência, mas em rádio. Agora outra viagem super interessante, no entanto, na Região das Missões. Novamente o “Mochila nas Costas” rodou alguns quilômetros, para uma nova aventura. Mas sempre focados no objetivo principal, nosso projeto experimental. Desta vez tivemos a companhia do cinegrafista Paulinho e da nossa colega Luísa. Uma pequena observação, que agora vamos ter imagens, muitas imagens!

Optamos por iniciar a viagem na sexta-feira, dia 8 de outubro. Gravamos as primeiras cenas, arrumando o porta-malas e nossas expectativas. Nosso primeiro destino foi Vitória das Missões, onde pousamos e na manhã seguinte fomos para Santo Ângelo. Onde nossa pauta era a Catedral Angelopolitana. Lá, ficamos toda a manhã, o Bernardo conversou com a Raquel. Então almoçamos e seguimos viagem, até São Miguel das Missões.

Nossa chegada era aguardada pelo pessoal do Wilson Park Hotel, principalmente por “Vê”, que estava trabalhando no sábado só por nossa causa, coitada! Mas ela é uma pessoa muito querida e atenciosa, fomos recebidos muito bem! Nosso primeiro plano era deixar as bagagens e seguirmos para as Ruínas, mas mudamos totalmente, pois queríamos “dispensar” a Vê. A Caroline a entrevistou e o Paulinho fez algumas imagens pelo local.

Tínhamos a autorização para entrarmos no Patrimônio Cultural da Humanidade (conhecido pela UNESCO, em 1983), as Ruínas de São Miguel de Arcanjo. Chegamos lá já era passado das cinco da tarde, sendo que o local fechava às 18h. Mas que nada, somos da imprensa (risos), conseguimos ficar até quase 19h. Digamos que fizemos um reconhecimento do território. O Paulinho gravou o sol se pondo entre as Ruínas, uma imagem belíssima. Muitas imagens e fotos neste dia.



Logo mais tínhamos que aguardar o início do Espetáculo de Som e Luz, que acontece diariamente, às 20h, com duração de 48min. Estava frio, as pessoas chegavam enroladas nos cobertores e nós lá, apenas com casaquinhos, nada muito quentes. Fizemos a chamada para o show todos juntos e então começou o espetáculo. Teve gente xingando o Paulinho, por estar com a luz da câmera acesa. Pois estava tudo escuro, as vozes contando a história da saga dos padres jesuítas e índios Guarani, habitantes da Região Missioneira nos séculos XVII e XVIII e algumas luzes aleatoriamente focadas em pontos das Ruínas. A história realmente é atraente, saber que antigamente as pessoas passaram por tudo aquilo. Mas sinceramente, achei que se fosse uma encenação com pessoas, o espetáculo se tornaria mais real. Porém, foi bonito.

Voltamos para o hotel, jantamos e fomos dormir, pois o dia tinha sido muito intenso e cansativo. Na manhã de domingo, acordamos e tomamos café. O Paulinho mais uma vez, foi fazer imagens externas do hotel. E então seguimos novamente para as Ruínas. Fomos almoçar quase duas horas da tarde. Ah, esqueci de contar que em Santo Ângelo, sem querer, encontramos um escritor, que já havia trabalhado como jornalista, que morava em São Paulo, o Vagner Carlos. Ele estava acompanhado de uma amiga. Nas Ruínas, encontramos a dupla novamente. E no almoço também, estavam lá sentados na mesa do lado. Uma pessoa gente fina, legal de conversar, com experiências jornalísticas interessantes.


Depois de nos alimentarmos, adivinhem?! Fomos para as Ruínas, mais uma vez e a última desta viagem. Fizemos os detalhes finais, gravamos nossos depoimentos e terminou nosso trabalho. Quer dizer, terminou lá em São Miguel, pois agora temos que assistir todas as gravações, definir as melhores imagens e editar nosso produto final. Nossa viagem de volta, foi um pouco mais calma, o cansaço estava em nossos corpos...

Esta viagem, esses dois dias e mais algumas horas de convivência, foi uma experiência única. Podemos até voltar lá, mas certamente não será igual. A equipe é muito prestativa, o companheirismo é muito bom. Nossas ideias, nossos pensamentos eram bem próximos. Creio que, nosso projeto experimental, foi bem experimental mesmo. Não sei qual será nossa nota, mas se depender de nós será dez pela coragem!!