sábado, 9 de outubro de 2010

De Mochila nas Costas e longe da cama

Hoje foi um dia puxado para a equipe do programa. O grupo visitou três cidades: Vitória das Missões, Santo Ângelo e São Miguel das Missões. Desde a partida de Santa Maria até agora (21h) já foram rodados 350 quilômetros. Nesse sábado foram 12 horas de gravações e ainda está longe de terminar.

 Fotos: Bernardo Bortolotto
Bernardo, Thaís, Carol, Luísa e Paulinho embarcam para Santo Ângelo

O roteiro do Mochila nas Costas começou na Capela de Santo Ângelo e na praça Pinheiro Machado, um pouco antes das 9h. Na cidade é possível sentir na pele a presença dos jesuítas, habitantes de 300 anos atrás, na sociedade atual. A cultura desses ancestrais é um orgulho para os moradores do município. A história entranhada na terra, debaixo das ruas, casas e pátios.

Catedra jesuíta de Santo Ângelo

Por volta das 14h a equipe seguiu para São Miguel das Missões, onde está hospedada no Wilson Park Hotel. Após descarregar as bagagens a equipe até pensou em descansar, mas não teve jeito. O trabalho continua dentro do hotel, o maior da região. Encerrada a primeira parte de trabalho no hotel, os repórteres seguiram para as Ruínas, que fica a 800 metros do hotel. O pôr do sol permitiu belas imagens no local. Mais tarde, às 20h começou o show de Som e Luzes nas Ruínas. Mais um espetáculo de imagens ao ar livre. A noite está linda, sem um vapor de nuvem no céu. A surpresa da noite foi o frio, venta muito forte nas Ruínas. Muita gente estava com cobertores.

Ruínas de São Miguel ganham luzes e som à noite. A história ganha vida e cor

Agora, um pouco antes de entrar para o banho escrevo esse post. São 21h36min. Daqui a pouco vamos começar a gravar à beira da piscina do Wilson. O cenário está pronto. Depois disso, vem a janta e por fim, a tão desejada cama.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Sempre uma criança

Foto: Bernardo Bortolotto

Gritos e dores preenchem o espaço vazio de um quarto de hospital. Contrações e soluços deixam o ambiente mais apreensivo. Tensão e, de repente, um choro fino e desafinado. Lágrimas desaguam sobre o rosto de um homem. O alívio enrolado em uma coberta é levado aos braços da mãe por um senhor vestido de branco. “É um menino”, diz o médico. Olhares e sorrisos se entrelaçam diante da nova vida. Um círculo de amor e compaixão está formado.

O relógio não para. O pai acorda, está escuro. Uma luz alaranjada reflete na parede. São quatro horas da madrugada. Levanta duas horas mais tarde. O leite é de caixinha e servido em xícara. O bebê já é uma criança. Bate na porta: “Acorda guri. Vai perder a aula!”. Corre no médico. A febre é forte e o menino precisa ser internado.

Os ponteiros giram rápido. A criança vai sair à noite. “Toma cuidado”, recomenda a mãe. A porta bate. Mais tarde, a porta abre. Um casal chega pela madrugada pé por pé até o quarto. Já são três horas da tarde. Ele ainda dorme. O pai leva um copo de suco e a mãe prepara um prato de comida.

A mulher se olha no espelho, o tempo não foi de todo tão ruim. Passa um lápis no olho, faz a sombra e pega um batom. O homem coloca fogo na churrasqueira e vai temperar a carne. Logo, o filho já vai chegar para a visita de todo ano. Ele vem de longe, chega de viagem, traz consigo a namorada, quase esposa. Vai pedi-la em casamento daqui três meses.

A campainha toca. A mãe corre na porta. Sorri, abraça forte e derrama algumas lágrimas. O filho retribui da mesma forma. Dá um abraço e um aperto de mão no pai. Durante o almoço falam sobre a casa, os animais e lembram da infância. A mãe some por instantes. O filho diz como vai o trabalho. O pai se orgulha. A mãe volta com um papel luminoso na mão, afinal 12 de outubro é o Dia da Criança.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Repouso


Repouso
Upload feito originalmente por Bernardo Bortolotto

Círculo de fogo se vai
Mar lilás consome o céu
Árvores contemplam
O pássaro repousa
Dia que chega ao fim
Presente em tons pastéis
Cansado aprecia
Espera companhia
Brisa fresca lava o rosto
Bela noite se aproxima
Sozinho está
Então, que chegue logo o dia

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O show da rede





“Alguém me contou”. Pequena frase, grande impacto. Muita gente quis saber o que me disseram. Ninguém teve sucesso. Escrevi no espaço do nick (apelido) do meu MSN Messenger. Foi perturbador. Muitos amigos e outros contatos perguntaram sobre a revelação. Não disse nada a ninguém! Aqui eu vou contar. Um grande segredo. Traduzi o nome da música (Somebody told me) de uma banda americana chamada The Killers. Simplesmente.

Diante do ‘sucesso’ da frase, no outro dia resolvi dar seqüência a essa brincadeira. hehe.. No espaço em branco do apelido digitei: “Agora eu sei pq”. De novo! Fui bombardeado de perguntas. “O que tu sabe?”, “Isso é um enigma”, afirmaram. Quem sabe? Mas não. Puro sarro. Uma seqüência de frases curtas, que aguçam a curiosidade. Bem, de novo eu não expliquei o motivo da frase. Queria ouvir o que os outros pensavam. E só!

Num terceiro dia surgiu uma terceira frase. Provocante, claro. “Se soubesse antes...”, reparou nos três pontinhos? Sugerindo que completassem o pensamento. Mais uma vez, vieram os comentários. “E esse nick, hein?”. “Tu tá apaixonado!”. Até lembraram de músicas e teclaram: “Se eu soubesse antes... o que sei agora, erraria tudo exatamente igual...”, da banda Engenheiros do Hawaii. Belíssimo!

Senti a curiosidade batendo à porta do outro, chamando para perto. E com essa tal curiosidade conversei com velhos amigos, soube onde estão e o que fazem nos dias de hoje. A brincadeira rendeu boas conversas e risadas com uma pitada de imaginação e mais provocações, claro. O mundo é movimentado pela “pulguinha atrás da orelha”.

De agora em diante sempre vou escrever frases com suspense, que aguçam e provocam a imaginação, ou seja lá o que for. A internet é isso, o espetáculo do eu, do você e do nós. Criamos estórias, frases e imagens. Somos ídolos, fãs e o ‘sucesso’ dos outros.

É hilário! É épico! É uma vergonha!

Esse é um vídeo editado só com os melhores momentos da candidata ao governo de Brasília, Weslian Roriz (PSC), mulher do ex-governardor do Distrito Federal Joaquim Roriz, durante o debate transmitido pela Rede Globo, na última terça-feira.

É hilário, você vai rir muito. É épico, só vendo pra acreditar. É uma vergonha, você vai se perguntar: "como alguém deixa essa mulher ali?".



Só podia ser Brasilia!!!!!

sábado, 25 de setembro de 2010

Um jardim de primavera

Foto: Bernardo Bortolotto

Vejo flores na direção do céu, no canteiro ao lado da calçada, no chão por onde passo. Sinto o cheiro de terra molhada secando ao sol dos dias ímpares da primavera. O céu azul de hoje é a incógnita de amanhã. O canto dos pássaros é a plenitude da natureza. A estação entre o frio e o calor faz de tudo um pouco, é um jardim florido de cores diversas e perfumes variados.

A primavera é um pomar de Azaléias Brancas cândidas sobre um campo verde. É o romance entre o verão e o inverno, o elo das estações mais severas. É o Amor Perfeito em seu significado mais puro. É tempo de meditar, recordar e, por fim, refletir. Primavera do crescimento, da leveza e da Camélia Rosada.

Sensíveis, pétalas esparramam-se ao chão ao sopro de qualquer brisa. É tua responsabilidade, primavera dos Girassóis. A tua grandeza é a paz da Rosa Branca e a inocência de uma Margarida em terras tempestuosas de um inverno Narciso, que reluta em se despedir. Tu és a Tulipa Vermelha que se declara ao calor do astro maior, que faz desdém, como um Cravo Amarelo.

Calma! Não é a única nesse mundo a amar a natureza e suas belezas. Divide esse fardo com a simpática Magnólia. Talvez, ela seja fruto teu, dessa busca pela paz dos tempos e estações. Tuas flores provocam paixões e afloram sentimentos esquecidos numa rotina, dessas que o tempo passa e ninguém vê ou se chateia num canto qualquer.

Siga em frente e cumpra tua tarefa. Tu és o equilíbrio da natureza. É o florescer das pétalas irradiadas de perfume, sentimentos e emoções. A cor viva dentro dos seres ao despertarem depois de dias cinzentos e chuvosos. Onde houver um coração a bater, sempre haverá alguém a te saudar. Pois sempre haverá flores para dar e receber. A vida é um jardim de primavera.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

As cores da prisão


UCS - Intercom 2010
Upload feito originalmente por Bernardo Bortolotto
O olhar da ave é de cansaço.
O olhar do visitante é de excitação.
Cruzam-se os olhares.
Um vem de dentro e o outro de fora.
Tristeza e euforia.
A ave é rara e o homem curioso.
As penas vermelhas, amarelas, verdes e azuis são caras.
Cores da prisão.
Coloração que as aves não são capazes de distinguir, mas de sentir.
Cores, que ao homem, representam alguns minutos de contemplação.
Contempla o quê?

sábado, 18 de setembro de 2010

As cores do meu Rio Grande

Foto: Luciano Stabel
O verde gaúcho brota dos campos e serve de alimento ao povo e animais. O verde dos pampas não é o mesmo “verde louro desta flâmula”. O amarelo dessa terra, “que nasci desde guri”, não vem da riqueza roubada há 500 anos. Verte da sabedoria e evolução. E o vermelho do sangue derramado por ancestrais é a honra pulsante nas veias de cada gaúcho.

O verde do mate traz o gaúcho pra casa, o leva ao campo, vira a terra, o põe em cima do cavalo na lida do gado. Não importa onde esteja, seja no norte ou nordeste. O sorver do chimarrão e o estalo da água espumada sumindo cuia adentro é o Rio Grande do Sul no coração. É a “aurora precursora” habitante da alma desse ser do sul.

Nossa liberdade brilha forte, em tom amarelo, iluminada pelo “farol da divindade”. Dói aos olhos que enxerga do centro, norte, leste e oeste. Quem vem desses lados é bem recebido e contagiado por “nossas façanhas”. Amarelo do manto da sabedoria está em cada passo gaúcho e de outros seres que estas terras habitam.

O vermelho, do sangue já derramado por tantos, percorre as veias e impulsiona o gaudério “forte, aguerrido e bravo”. É como um “fogo de chão” na alma gaúcha, que arde 20 de Setembro. É orgulho em bravura e em reconhecimento aos heróis de 1835. É o vermelho do amor galopante em tempos de paz.

A alegria de chimangos e maragatos está no “céu, sol, sul, terra e cor”. Vem do campo semeado a honestidade e da raiz crescida em sabedoria. É o fruto colhido da ternura, da honra e da liberdade. É o Rio Grande de amores. É o Rio Grande das cores da minha bandeira.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

“De onde vem essa força?”

Nesse texto quero compartilhar um sentimento. É de impotência diante da vida. Antes de contar a minha breve situação e de profunda mágoa vou explicar o título da postagem.

“De onde vem essa força?” foi uma pergunta feita pela repórter Lizie Antonello, da editoria de Geral, do jornal Diário de Santa Maria, em um depoimento prestado ao blog Os Bastidores do Diário. Ela retratou sua experiência de cobrir o velório, na última quinta-feira, de Jason de Mello Brondani, um menino com 42 dias de vida. A jornalista estava acompanhada do fotógrafo Lauro Alves e de uma equipe da RBS TV.

A criança foi enterrada em Faxinal do Soturno, terra dos pais. O bebê nasceu com uma rara doença no intestino e percorreu quilômetros para conseguir uma vaga em um hospital de Porto Alegre, onde passaria por uma cirurgia. Leia a matéria completa.

O envolvimento

Soube da morte da criança logo pela manhã, quando cheguei à redação da RBS TV Santa Maria, na última quinta-feira (16). A recepção da notícia foi de profunda tristeza e surpresa imediata acompanhadas de um grito de lamento.

A RBS TV de Santa Maria ainda não havia noticiado a luta de vida da criança, porque o menino nasceu em Ijuí, depois foi levado para Pelotas e por seguinte à Capital. Nessas três cidades, as “praças locais” fizeram reportagens sobre o caso.

Eu tive conhecimento da história do menino depois de trocar e-mails com a assessoria de imprensa da prefeitura de Faxinal do Soturno. Como trabalho com produção cultural para o Jornal do Almoço, o jornalista Norton Ávila me encaminha as datas dos eventos que vão ocorrer na cidade.

No dia 13 de setembro, segunda-feira, ele enviou o seguinte e-mail:


“Jantar Beneficente ao recém-nascido Jason de Mello Brondani

Quando: 18 de setembro de 2010


Onde: Ginásio de Esportes Irmão Ademar da Rocha em Faxinal do Soturno

Horário: 20h30min


Valor: casal R$25,00 e individual a R$15,00


Promoção: Pais, familiares e amigos de Jason de Mello Brondani

Ao ler, fiquei curioso. Respondi o e-mail perguntando por que o jantar era beneficente. Na quarta-feira, dia 15, na metade da tarde eu li o retorno da assessoria. Soube da doença rara do menino e que a verba seria para ajudar a família nos custos com viagens, hospitais e medicamentos.
Minha família já passou por uma situação muito semelhante. Já senti na pele a necessidade de receber ajuda de outras pessoas.

No momento, pensei que precisava fazer alguma coisa para ajudar. Comecei a apurar mais informações sobre o caso. Estava levantando fatos que sustentassem uma reportagem local, a partir do jantar beneficente.

O material já estava pronto para ser oferecido na reunião de pautas, às 13h30min, de quinta-feira, dia 16. Contudo, Jason partiu antes, na manhã do mesmo dia. Senti um vácuo.

O sentimento de impotência derrubou meu chão. A frustração abriu um vazio no peito. “Por que estas coisas acontecem?”. Acompanhei o caso e o velório de longe. Tive um breve envolvimento com a situação e senti a dor da perda de uma criança tão distante de mim.


Ao ler Os Bastidores do Diário, e as colocações da jornalista, passei a refletir para saber “de onde vem essa força?”.

Até agora, não descobri...


+ sobre o caso Jason
 
Clique aqui para ver a reportagem na RBS TV Pelotas, de sexta-feira (10)
 
Clique aqui para ver a matéria publicada no Clicrbs, de sexta-feira (10)