quarta-feira, 6 de abril de 2011

O fim das paradas

Quem vai a Santa Maria de ônibus e costuma desembarcar no centro da cidade, terá que mudar de hábito. A partir de maio, deve entrar em vigor um decreto que proíbe o tráfego de ônibus de linha intermunicipal no centro do município. Uma tentativa de desafogar o trânsito.

A parada mais próxima do centro de Santa Maria será na esquina das avenidas Presidente Vargas e Ângelo Bolson. Os coletivos terão de ir até a rodoviária por fora da cidade. Para nossos vizinhos, pode ser uma medida que ajude a melhorar o trânsito, mas é uma medida paliativa e com prazo de validade vencido.

Milhares de passageiros, grande parte são-pedrenses, irão sofrer com tal decreto. Necessitarão de táxi ou de um coletivo urbano. Aumentando os gastos. Por sua vez, tornando inviável, para muitos, ir trabalhar de manhã e voltar à tarde, da cidade vizinha.

A Secretaria de Controle e Mobilidade Urbana (de trânsito) diz que 128 coletivos deixarão de circular nas vias do centro. Contudo, o que são 128 veículos por dia, em uma avenida onde passam coletivos urbanos de cinco em cinco minutos? O trajeto que os intermunicipais seguem é o mesmo. Que mudança significativa há nessa alteração? Quem vive em Santa Maria sabe que esse não é problema do trânsito, de uma cidade mal planejada.

Nossas autoridades deveriam tomar uma medida e buscar o diálogo com a cidade vizinha, para evitar que centenas de pessoas sofram prejuízos. Se não houver uma solução, o jeito será utilizar meios alternativos, como vans. Assim, as empresas sentirão nos cofres e lutarão em nosso favor.

Agora, o que não se pode esquecer, é o nome do responsável por essa alteração, o secretário Marcelo Bisogno. Abra o olho, ele foi candidato a deputado estadual nas eleições passadas e deverá tentar o pleito nas próximas. O que pretende ganhar com os santa-marienses, com esta medida paliativa, perderá em dobro em São Pedro e região.

domingo, 27 de março de 2011

Palavras cruzadas


Paciência. É esse o exercício, que geralmente, todo homem pratica quando está perto de uma roda de mulheres. Uma grita daqui, outra fala de volta, enquanto duas conversam sobre assuntos paralelos, na mesma hora. Não tem como compreender o que elas estão falando. Muito menos, seguir suas linhas de raciocínio. Mas, com paciência, entrar no meio deste bate-papo pode ser uma experiência muito bacana.

Lá estão elas, sentadas uma ao lado da outra. A televisão ligada, a música tocando e a conversa não para. Do outro lado, eu observo, atentamente as variações, expressões e a constante troca de assuntos.

Elas precisam de apenas alguns segundos para pegar uma palavra e transformá-la em inúmeros temas. Lembram-se de um fato de outro dia, em outro lugar e riam da circunstância. Em menos de um minuto, o assunto já se evaporou. Virou tantos outros, como se fosse pulverizado. Se espalha pela sala, como gotículas de água. Contagia o ambiente.

De repente sai um “olha isso!”, todos olham para ela. A exclamação partiu da novela, da televisão. Sim, entre tantos assuntos paralelos, elas também conseguem prestar atenção à televisão. Ter idéias mirabolantes. Sorrir e enrijecer a testa, segundos depois. Misturar ficção com realidade.

Depois de tantas conversas e assuntos, elas param. Faz se um silêncio. Olham para mim e ordenam: “tu não vai continuar tua história?”. Na minha cabeça uma confusão. Uma mistura de assuntos inacabados. Interrompidos por outras novidades. E como só conseguia pensar em um tema, retornamos à primeira conversa.

O debate durou minutos até, uma delas, lembrar de outra hora e se perder novamente. Foram boas risadas em algumas horas, imerso no universo feminino. É uma experiência legal, onde é possível compreender por que elas reclamam que não ganham atenção. Um pouco de atenção aos seus assuntos as faz tão bem e dá tão pouco trabalho. Basta abrir os ouvidos, não é preciso dizer nada.

sábado, 19 de março de 2011

Cadê a segurança?

Caro leitor, você está acostumado a ler crônicas neste espaço. Nesta edição, a coluna Crônicas será ocupada por um comentário de um episódio lamentável.

No sábado passado, a prefeitura promoveu um baile popular, na Praça Crescêncio Pereira. A promoção faz parte das comemorações de aniversário de São Pedro do Sul. Na ocasião, uma banda subiu ao palco para animar a população. E, estava animado e divertido. Estaria tudo dentro da normalidade, se não fosse pela insegurança.

            Neste evento gratuito, - com venda de bebidas alcoólicas aos arredores e lotado de gente - sabe quantos seguranças circulavam pelo local? Nenhum. Exceto, três policiais em uma esquina. Para que você compreenda leitor, a quadra da Rua Expedicionário Almeida, em frente à Praça, foi fechada para receber o público. Cerca de mil pessoas estavam presentes.

            Agora imagine você, somente três policiais, à distância, cuidando da segurança de uma multidão. Sim, caro leitor, ocorreu uma briga, entre, pelo menos, dez pessoas. Voaram cadeiras, mesas e garrafas. Sobraram empurrões, socos e chutes.

            Os policiais foram acionados. Fizeram a sua parte, da maneira como puderam, afinal de contas, estavam entre três. Vamos ressaltar que, naquela ocasião, seria bem vinda uma intervenção do Batalhão de Operações Especiais (BOE) da Brigada Militar (BM). A cidade não conta com tal recurso.

            Na edição 231 da Gazeta Regional, do dia 11 de dezembro de 2010, o comandante da BM de São Pedro, o tenente Laércio Ferraz da Silva, disse em entrevista, que o município não tem efetivo o suficiente para tais organizações populares. Veja, estava avisado, anunciado. A população sabe que a violência aumentou na cidade e, o policiamento está comprometido. Será que as autoridades públicas não leram o que disse o tenente Laércio, no final do ano passado? Dar as costas à imprensa é dar as costas à sociedade.

            Diante disso, como pôde ocorrer um show aberto ao público, sem pelo menos, ser contratada uma equipe de seguranças para circular no meio da multidão? Um segurança poderia ter evitado o primeiro empurra-empurra.

            As comemorações são bem vindas por todos. Desde que sejam organizadas e seguras. O cenário de insegurança prevalece na cidade. É alarmante. E a população não pode viver com a sensação de medo.

            São questionamentos que as autoridades terão de se fazer e discutir. O Ministério Público também
tem de fazer sua parte, cobrando respostas e atitudes dos governos municipal e estadual.

            Quanto ao desfecho da briga, pelo menos, um homem sofreu cortes no rosto e pelo corpo. Ele foi levado até o Pronto-Atendimento (PA) Municipal pelos policiais, onde recebeu atendimento. Segundo a BM, ele preferiu não registrar ocorrência policial e, apesar de tudo, ninguém foi preso. Ficou por isso mesmo.

O mínimo que se espera dos órgãos públicos, é que as investigações não parem por aí, que não haja impunidade, para que episódios como este, não se repitam.

domingo, 13 de março de 2011

Vida acelerada


Há três anos formado em administração de empresas, o jovem João Francisco, 23 anos, acaba de ser aprovado para o mestrado na mesma área. Ele está feliz. Mais ainda porque acaba de ser promovido a diretor de rede da Connection S.A., fornecedora de cabos para a produção de computadores e notebooks. Agora, ele irá administrar 17 empresas espalhadas pelo país. Seu salário passou de R$ 1,5 mil para R$ 3 mil, sem somar as comissões.

Começando o ano muito bem, o jovem já traça seus planos para o próximo. Já pensa em trocar de carro na metade do ano, vender o seu antigo e comprar um mais novo. Para as próximas férias planeja ir para uma praia, passar um tempo com os amigos. A euforia, o fez pensar em muitas coisas. Ligou para os amigos e combinaram uma comemoração durante o carnaval.

A turma se reuniu em uma rua, onde uma banda tocava músicas de carnaval. Entre felicitações e abraços, a noite era só alegria. Os isopores com cervejas começaram a chegar. E a festa se prolongou até a manhã de sábado. A banda já havia parado de tocar, mas todos da turma de João seguiam a cantar, afinal a data era especial.

Fim de festa, é hora de recuperar as energias, porque a próxima noite prometia. O jovem pegou o carro e, no caminho para casa, perdeu o controle do carro e bateu de frente contra uma carreta. Ele morreu na hora. Essa história é ficção, mas ilustra a história de muitas pessoas que perderam a vida de repente, nas estradas.

Nesse carnaval, 213 pessoas morreram em acidente de trânsito, no Brasil. Um número 48% maior que o do ano passado. Mais de duas mil pessoas ficaram feridas. A maioria dos acidentes ocorreu por imprudência dos motoristas. Alguns embriagados, outros apressados e alguns por negligência de outros condutores. Reflita e não acelere sua vida.

sábado, 5 de março de 2011

A arma contra o ditador


Antigamente, as revoltas em países dominados por ditadores, um fuzil, uma metralhadora e bombas caseiras eram as principais armas contra os regimes autoritários. O ritmo de combate, de pessoas lutando pela liberdade, permanece. É o que se pode ver nos países do Oriente Médio. Opa, aqui tem uma novidade, nós podemos assistir aos conflitos.

Gerações passadas puderam sentir na pele a imposição de uma ditadura. Milhares de pessoas gritaram por liberdade. Pediram socorro. Poucos escutaram. O som dos berros não ultrapassava as fronteiras de um país. A luta devia ser armada e ninguém podia ser pego. A única certeza de ser capturado por um ditador era a do castigo, que podia custar a vida.

A luta, pela liberdade de expressão e por direitos iguais a todos, ganhou um reforço. E quem diria: são os aparelhos celulares, as câmeras fotográficas digitais e a internet. Não importa a marca, não importa a potência. A arma mais letal contra um ditador: a divulgação de seus atos para um mundo evoluído.

Contra seu povo, dentro da Líbia, Muamar Kadafi é impiedoso, destemido e feroz. Mas fora de seu território, não passa de um criminoso covarde. É da resposta externa que o povo em guerra tira força para seguir a batalha contra o ditador. Cada vez mais isolado, perdendo aliados, inclusive de seu próprio governo, Kadafi insiste em lutar para sair de cena sem renunciar.

E, diante da tecnologia, pode ter certeza que a cena final deste episódio será gravada. Serão postados vídeos e fotografias em redes sociais em comemoração à queda do ditador e, em honra, aos que morreram lutando. E, do outro lado da tela do computador ou da televisão, haverá milhares de seres humanos aplaudindo junto.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Espiar e nada mais


Se, tem um programa de televisão que não gosto de olhar, é o Big Brother Brasil (BBB). Até confesso que, a primeira edição eu assisti. Depois, deixei de ver. Mesmo assim, sei o que acontece dentro da casa de câmeras, afinal, é o assunto do outro dia de muitas pessoas.

Na academia eu soube de um homem que virou mulher depois de fazer uma cirurgia. No trabalho ouvi dizer que tem mulheres dentro da casa que dançam em casas noturnas. Antes de começar um jogo de futebol, os comentários foram as mulheres lambendo algum doce no corpo dos homens.

Para saber o que acontece na casa do olho que tudo vê, do grande irmão, não é necessário assistir televisão. Está em muitos sites, revistas e na boca das pessoas. Mesmo que seja para dizer que não gosta do programa, como eu sempre digo. Prefiro um filme, um debate, até o programa do Chaves ou Chapolim Colorado.

Mas quando estou passeando pelos canais, e, de repente, está na hora do BBB, sou obrigado a dar uma espiada. É impossível desconhecer o que todos conhecem. Ficar de fora das conversas ou não entender aquela piada com nomes e gírias dos brothers. Eu não assisto, somente espio por alguns minutinhos, mesmo que seja para ter certeza que o programa não faz meu gosto.

Sinais do inverno

Tem gente dando tchau muito feliz e tem aqueles que já estão com saudade. Isso, porque o horário brasileiro de verão se despede nesse final de semana. As pessoas comentam suas preferências entre acordar mais cedo e chegar do trabalho ainda com luz solar.

O fato é que os ponteiros do relógio irão atrasar uma hora e os raios solares já começam a se despedir mais cedo. E com ele se vai a disposição. A preguiça começa a invadir os lares, junto com a noite, em frente à televisão.

E não é só o horário que está mudando. Já é possível reparar que o vento de outono sopra e a temperatura começa a cair. O friozinho da manhã acompanha quem cedo levanta para seus afazeres. De tarde é hora de tirar o casaquinho, porque já esquentou.

São os sinais de boas vindas de uma nova estação e de despedida do período de sol e calor. O verão começa a se afastar sem muito barulho, devagar, e, aos poucos, todos se acostumam com as novas temperaturas e horários. E, mesmo quando insuportável, o calor já vai deixando saudade para alguns e, o horário de inverno é felicitado por outros.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Em slow



Às vezes cinco minutos parecem levar uma hora para passar. É como um efeito de câmera lenta, um slow. A morena de pele bronzeada e cabelo comprido, até metade das costas e ondulado. Diante de seu, aproximado, um metro e 75 centímetros de altura, ela põe os joelhos no assento almofadado do graviton (aparelho de musculação). Segura na barra de ferro, com os braços espaçados, no ângulo de 90 graus.

Ela veste uma calça de lycra preta, colada nas pernas, marcando suas perfeições. As curvas desenham os músculos posteriores das coxas e da panturrilha. Ah, se Oscar Niemeyer estivesse aqui, teria uma inspiração arquitetônica. O tórax veste uma regata preta, de alças finas e coladas ao corpo. A blusa, um lance de estratégia para expor a supremacia do decote, é curta e apertada o suficiente para destacar a cintura, mostrar a barriga e as nádegas.

De costas para o público da academia, de vagar, ela faz os movimentos. Puxa-se para cima, lentamente, como se o esforço fosse massagem ao corpo. Os músculos das costas formam linhas que parecem estradas. Para onde levam? Repete os gestos. Sobe, e depois desce. Abaixo da cintura, os nervos se contraem. Quando desce, parece estar em uma banheira de espumas e pétalas de rosa. Relaxa.

Pelo espelho é possível enxergar o rosto. Dele verte uma gota de suor, perto da franja, ao lado da testa. O pingo escorre pela face, embala pelo pescoço e mergulha na profundidade do decote. Leva alguns segundos para novamente aparecer e desaguar no umbigo.

Entre uma seqüência e outra, ela descansa. Pega uma toalha e leva até o rosto. Como se estivesse sendo filmada debaixo para cima, balança os cabelos e prende na altura da nuca. Devagar, ela volta ao aparelho, joelho por joelho e braço por braço. Sustenta o peso do corpo sobre a máquina. E recomeça o espetáculo.

Algo começa a ficar estranho. Surge um som agudo de pesos se chocando. Homens e mulheres forcejam. Conversas. Motores foram ligados? À frente, o som do jump sobrevoa o salão e volta a entrar nos tímpanos. Correria. Perdi a noção do tempo percorrendo as silhuetas daquela morena. Uma longa e desejada aventura. Estou atrasado! Que nada, recém foram sete minutos de esteira.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Antes de dormir

Nesta noite fui dormir diferente. Mais cansado que de costume. Quis ouvir músicas clássicas, enquanto o pensamento tocava guitarras numa banda de rock. Resolvi virar, erguer os pés e escorar parede, deixar o sangue pesar na cabeça. O mundo pareceu virado. Às vezes é bom enxergar tudo ao contrário. A sensação no crânio, que depois de alguns minutos, parecia se esmagar, era relaxante. As pernas formigaram. Numa cambalhota, estava de bruços.

As pernas deslizavam sobre o lençol. De um lado, para o outro. Não era seda, mas cada centímetro do movimento aumentava a metragem do conforto. Ah, o colchão. Como pode ser duro e macio, ao mesmo tempo? O corpo surfou nas ondas da sua superfície. Lençol e colchão, um feito para o outro. Os dois a dar prazer às panturrilhas, coxas e costas.

E o travesseiro a guardar segredos. Todos os pensamentos circulando sobre um estofado de penas. Passam lembranças, alegrias, angústias e perdões. Também desfila a saudade nesta passarela. Um olhar escapa para um canto vazio. De um lado da face, a fronha gelada refresca o calor do dia que passou. A mão escorre por de baixo e abraça com carinho esse penacho confidente.

Tudo era perfeito, ou melhor, quase. O sono acanhado não apareceu. Numa noite de extremo cansaço físico, os pensamentos flutuaram horas e horas antes de se distanciarem. A empolgação do dia manteve uma dose de adrenalina circulando pelas veias. E nessa aventura de reviravoltas num colchão, que parecia missão de vida, desvendei os mistérios da minha cama. A sonolência bateu de repente, enquanto estava atravessado na diagonal, e levou a mente e o corpo, agora relaxados, a flutuar sobre o terreno dos bons sonhos.